sábado, 22 de junho de 2013

Sugestão de Leitura VII - Meu primeiro beijo

Já que o principal foco deste blog é o Curso de Formação de Educadores "Melhor gestão, Melhor ensino", como eu pude esquecer de postar as sugestões de leitura que estamos trabalhando nos nossos planos de aula?
Pois é, aqui vai o primeiro deles...

Meu Primeiro Beijo

Antonio Barreto

Cena do filme "Meu primeiro amor", de 1991
(Fonte da imagem: Google)
       É difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus milhares de bilhetinhos:

"Você é a glicose do meu metabolismo.
Te amo muito!
Paracelso"

E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de mulher... E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.
No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus, veio com o seguinte papo:
- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas ele continuou:
- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos: - A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de substâncias orgânicas; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo menos 250 bactérias...
Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.
E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto, juntos, o abismo do primeiro beijo.
Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos apaixonados por várias semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram...e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!

BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p. 134-6.

Dicionário de Língua Portuguesa On Line


Dicio.com.br

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Sugestão de Situação de Aprendizagem

Situação de Aprendizagem - Gisele Almeida Machado de Andrade

Tema:  Crônica narrativa e sua estrutura
Objetivo: Conhecer a estrutura do gênero crônica narrativa, foco narrativo e tipos de  discurso (direto e indireto) .
Justificativa: Reconhecer dentro da tipologia narrativa, o gênero crônica.
Público Alvo: 7ºs Anos do Ensino Fundamental.
Tempo Previsto: 4 aulas.
Procedimentos metodológicos: expor o gênero crônica, levantar conhecimentos prévios por meio de debate; apresentar  o texto “Avestruz”, por meio de uma leitura compartilhada. Produção de diálogos entre os personagens do texto, usando o discurso direto. Reescrita do texto mudando o foco  narrativo.
Recursos: Cópias do texto “Avestruz” de Mário Prata, lousa.


Avaliação
: Participação do aluno. Observar se o aluno atingiu as competências e habilidades nas diferentes atividades.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Sugestão de Situação de Aprendizagem Plano de Aula MGME


Professora Gislaine

“Avestruz”
(Mário Prata)

Objetivos
Estimular o gosto pela leitura;
Desenvolver a competência leitora;
Desenvolver a sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico;
Estabelecer relações entre o lido/vivido ou conhecido (conhecimento de mundo);
Perceber as particularidades do gênero Crônicas.

Conteúdos
Texto: Avestruz de Mário Prata;
Figuras de linguagem (ironia), análise e interpretação;
Gênero Crônica.

Tempo estimado: Cinco aulas.

Série: 9º ano

Material necessário
- Uma cópia para cada aluno do texto “Avestruz” de Mário Prata
- Se possível, um computador ligado à Internet;
-Imagens do animal citado no texto.

Desenvolvimento

1ª etapa: Sondagem oral
Pergunte se os alunos já ouviram falar sobre o animal. Conhecem ou já viram algum de perto? E sobre Crônica, já ouviram falar?
A partir desta primeira sondagem, inicie sua aula, apresentando à turma o texto.

2ª etapa: leitura compartilhada do texto "Avestruz"
Leia com a turma o texto "Avestruz" e peça que os alunos comentem suas impressões gerais. Em seguida pergunte se, após a leitura, as ideias que tinham a respeito do animal se mantiveram ou foram alteradas? Justifique.

Estratégias
Divida a turma em grupos para discutirem as seguintes questões:

  • A crônica geralmente é um texto curto e leve, escrito com objetivo de divertir o leitor e /ou levá-lo a refletir criticamente sobre a vida e o comportamento humano. Como estes dois objetivos estão presentes na crônica escolhida?
  • O narrador presente na crônica pode ser do tipo observador ou personagem. Como é o narrador da crônica analisada?
  • A crônica emprega geralmente a variedade padrão informal em linguagem curta e direta, próxima do leitor. Analise a linguagem empregada na crônica.


Sugestão de atividades
Ainda em grupos os alunos podem partir de situações do cotidiano para a produção de textos, identificar episódios domésticos e comentá-los em forma de pequenas crônicas.

Avaliação
A avaliação deve ser individual, ainda sobre o gênero crônica, o aluno deve produzir um pequeno texto de acordo com a forma estudada.









Sugestão de situação de aprendizagem - Primeiro beijo

Plano de aula - MGME
Séries: 8º ano do E.F.
Professora: Guadalupe
Tempo de duração: 3 a 4 aulas
Disciplina: Língua Portuguesa
Temática: Dia dos Namorados
Objetivos: Leitura e Produção de texto
Objetivos específicos: englobar as capacidades de leitura: ativação de conhecimentos prévios; antecipação ou predição de conteúdos; levantamento e checagem de hipóteses; comparação de informações; percepção de relações de intertextualidade; percepção de outras linguagens; elaboração de apreciações estéticas e/ou afetivas. Produção textual do gênero injuntivo e da tipologia receita.
Conteúdo: Texto “Meu primeiro beijo” de Antônio Barreto e filme curta-metragem ganhador do Oscar 2013 “Paperman”, da Walt Disney Animation Studios.
Estratégia:
  • Leitura compartilhada do texto e apresentação do filme
  • Roda de conversa
  • Proposta de produção textual do gênero injuntivo, da tipologia receita: “Como seria um primeiro beijo ideal?”
  • Troca das produções e avaliação do texto do colega (revisão)
  • Reescrita do texto revisado (caso necessário)
Recursos: Cópias do texto “Meu primeiro beijo” de Antônio Barreto; cópia do filme “Paperman” em DVD ou pen-drive; equipamento digital (aparelho de DVD, notebook, computador e/ou data-show).

Avaliação: A avaliação será contínua, englobando a observação dos alunos na roda de conversa, a interação entre alunos, a colaboração e a produção textual, que será o produto final deste plano de aula.

Observação: Para a apresentação do filme, pode-se também levar os alunos à sala de informática com computadores conectados à internet e utilizar o seguinte link: Disney's Paperman

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Primeiro Beijo - uma sugestão de trabalho


Primeiro Beijo

Público Alvo: 7º a 9º anos
Tempo Previsto: 6 aulas

Objetivos:

1) Analisar e identificar o gênero crônica;

2) Interpretar e verificar os vários recursos utilizados por autores brasileiros;
3) Identificar aspectos e características do gênero;
4) Caracterizar o narrador da crônica.

Conteúdos

Sugestões de leitura

  • "Comédia para se Ler na Escola", Luiz Fernando Veríssimo, Editora Objetiva.
  • "Para Gostar de Ler: Crônicas", Vários autores (volumes 5 e 7), Editora Ática.
  • "Sobre a Crônica", Ivan Ângelo, Revista Veja São Paulo, 25 de abril de 2007.

Procedimentos:
1º Questionar os alunos sobre assuntos relevantes sobre seu cotidiano que possam ser transformados em textos. O professor pode mencionar uma coisa que ele veja em sala de aula para servir de início. Espera-se que os alunos mencionem coisas da vida deles como pequenas intrigas, fim de semana, etc;
2º Registrar na lousa os tópicos levantados;
3º Colocar na lousa a expressão "Meu Primeiro ..." e pedir que os launos completem a expressão. Espera-se que os alunos completem com situações como: "Meu primeiro passeio, skate, namorado, videogame, celular, etc";
4º Leitura do texto "Meu Primeiro Beijo", feita pelo professor;
5º Após a 1º leitura o professor entrega o texto para os alunos. e lança algumas questões relacionadas ao vocabulário e elementos da crônica;
6º Os Alunos realizam a 2ª leitura para contextualizar e relacionar com outras atividades do seu cotidiano;
7º Introdução de outras crônicas;
8º Neste momento os alunos irão escolher um fato pertinente ao texto lido, e produzirão uma crônica.
Avaliação: apreciação dos trabalhos que poderão ser lidos, colocados em um painel, e até postados em um blog
Observações: é importante, na condução da atividade, o professor não se perder na temática e focar em um assunto que possa gerar polêmica por esbarrar em questões que se aproxima da vida afetiva e sexual. O objetivo central que é o trabalho com a crônica tem que ser mantido, e qualquer outra coisa que se possa extrair do texto deverá ser feita de forma implícita pelo aluno.

domingo, 16 de junho de 2013

Sugestão de Leitura III - Complexo de Cinderela

Mulheres, leiam este livro!



A tese deste livro é a de que a dependência psicológica – o desejo inconsciente dos cuidados de outrem – é a força motriz que ainda mantém as mulheres agrilhoadas. Denominei-a “Complexo de Cinderela”: uma rede de atitudes e temores profundamente reprimidos que retém as mulheres numa espécie de penumbra e impede-as de utilizarem plenamente seu intelecto e criatividade. Como Cinderela, as mulheres de hoje ainda esperam por algo externo que venha a transformar sua vida. Mesmo aquelas mulheres aparentemente cheias de êxito em suas carreiras e vidas privadas ainda tendem a subordinarem-se aos outros, deles se tornarem independentes e, inadvertidamente, devotarem a maior parte de suas energias em busca de amor, ajuda e proteção contra o que é visto como difícil, ou desafiante, ou hostil no mundo. (…) O “desejo de salvação” me parece um ponto importante. Fomos ensinadas a crer que, por sermos mulheres, não somos capazes de viver por nossa absoluta conta, que somos frágeis e delicadas demais, com absoluta necessidade de proteção. De forma que agora, na era da conscientização, quando nossos intelectos nos ditam autonomia, o emocional não-resolvido derruba-nos. A um só tempo almejamos libertar-nos dos grilhões, e ter quem (cuidando de nós) os recoloque. Nossas propensões à dependência encontram-se, em geral, profundamente enraizadas. A dependência é ameaçadora. Ela nos enche de ansiedade, pois remete-nos à infância, quando realmente éramos indefesas. (…) Mas o que é que “segura” as mulheres? O medo, responde a Dra. Symonds. Não querer experimentar a ansiedade intrínseca ao processo de crescimento. Isso tem a ver com a forma com que foram criadas. Quando crianças, as mulheres não aprendem a ser assertivas e independentes; pelo contrário, são ensinadas a serem não assertivas e dependentes.’ fonte http://praminhafilha.wordpress.com/2010/01/17/complexo-de-cinderela/

sábado, 15 de junho de 2013

Sugestão de Filme III - Os Miseráveis


Um filme emocionante. Já li o livro também. Vale a pena conferir

Sugestão de Leitura II - Conto realista

Boa noite a todos!
Hoje estou postando o meu segundo conto preferido, uma sugestão interessantíssima de leitura que pode nos trazer à tona assuntos como, e especialmente, a solidão da vida moderna, cada vez mais fechada, cada vez mais isolada, as pessoas trancadas dentro de suas casas, sem nem ao menos saber o que é o mundo lá fora. Isso é um tema bem preocupante para as nossas crianças, que não saem mais para brincar, que não vão mais a parquinhos, que não se socializam mais, somente vivem com as mentes presas em televisores, videogames, computadores e celulares... E eles crescem sem ter vida social, sem querer ter vida social, pois vida social para essas crianças é ter centenas de amigos no facebook e, muitas vezes, nenhum na vida real.
Enfim... Vamos ao texto e espero que gostem!

Ninguém - Luiz Vilela


rua estava fria. Era sábado ao anoitecer mas eu estava chegando e não saindo. Passei no bar e comprei um maço de cigarros. Vinte cigarros. Eram os vinte amigos que iam passar a noite comigo.

A porta se fechou como uma despedida para a rua, mas a porta sempre se fechava assim. Ela se fechou com um som abafado e rouco. Mas era sempre assim que ela se fechava. Um som que parecia o adeus de um condenado. Mas a porta simplesmente se fechara e ela sempre se fechara assim. Todos os dias ela se fechava assim.

Acender o fogo,esquentar o arroz, fritar um ovo. A gordura estala e espirra ferindo minhas mãos. A comida estava boa. Estava realmente boa, embora tenha ficado quase a metade no prato. Havia uma casquinha de ovo e pensei em pedir-me desculpas por isso. Sorri com esse pensamento. Acho que sorri. Devo ter sorrido. Era só uma casquinha.

Busquei no silêncio da copa algum inseto mas eles já haviam todos adormecido para a manhã de domingo. Então eu falei em voz alta. Precisava ouvir alguma coisa e falei em voz alta. Foi só uma frase banal. Se houvesse alguém perto diria que eu estava ficando doido. Eu sorriria. Mas não havia ninguém. Eu podia dizer o que quisesse. Não havia ninguém para me ouvir. Eu podia rolar no chão, ficar nu, arrancar os cabelos, gemer, chorar, soluçar, perder a fala, não havia ninguém para me ver. Ninguém para me ouvir. Não havia ninguém. Eu podia até morrer. 

De manhã o padeiro me perguntou se estava tudo bom. Eu sorri e disse que estava. Na rua o vizinho me perguntou se estava tudo certo. Eu disse que sim e sorri. Também meu patrão me perguntou e eu sorrindo disse que sim. Veio a tarde e meu primo me perguntou se estava tudo em paz e eu sorri dizendo que estava. Depois uma conhecida me perguntou se estava tudo azul e eu sorri e disse que sim, estava, tudo azul.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Depoimento sobre leitura - Gisele

         Minha experiência com leitura e escrita começou com minha avó. Mesmo sendo uma pessoa sem estudo, ela adorava contar histórias de terror, folclóricas, lendas e até piadas. Com certeza ela deixou muitas saudades, pois a alegria dela era ver os netos (que eram muitos) ao redor dela para ouvir suas histórias. A maneira como era contada me encantava. Era capaz de ficar horas ouvindo e não me cansava.
Mais tarde, na escola tive contato com essas histórias populares e os contos de fadas que certamente me fascinavam. Também tive um professor que pedia que escrevêssemos um diário pessoal. Confesso que adorava, uma vez que escrever me acalmava.
Um livro que ficou registrado como o primeiro a ser "saboreado" foi as aventuras de Robinson Crusoe, escrito por Daniel Defoe. Ficava imaginando toda aquela aventura vivida pelo personagem. E até hoje quando me pedem uma sugestão de livro de aventuras é o primeiro a ser indicado por mim.

Sugestão de Filme II - Professora sem classe

Boa noite! Hoje vou postar um filme que eu assisti há algum tempo e que me mostrou tudo o que um(a) professor(a) NÃO deve fazer! rsrs
É uma comédia lançada em 2011 com a atriz Cameron Diaz protagonizando uma professora com alguns valores errados. Ela está prestes a largar a profissão para se casar com um homem rico, mas seus planos vão por água abaixo e ela se vê obrigada, a contragosto, a manter-se na docência.
Assistam! É um filme muito divertido que satiriza algumas atitudes de professores não muito felizes com sua profissão, pois todos sabemos que maus profissionais existem em qualquer lugar, né? E, por favor, não me sacrifiquem, é só pra relaxar um pouco, dar algumas risadas e pensar que nem tudo está perdido, que, mesmo em situações adversas, existe uma luz no fim do túnel da nossa Educação!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sugestão de Filme I - Escritores da Liberdade


Boa noite!
Achei conveniente postar primeiro uma sugestão de um filme que foi indicado por um professor durante minha graduação, foi depois de tê-lo assistido que tive a certeza de que essa era a profissão que queria para mim. O filme é baseado numa história real de uma professora recém formada que começa a lecionar numa escola do subúrbio onde apresenta altos índices de violência e agressividade, a professora usa de vários métodos de ensino até que aos poucos vai conseguindo conquistar a confiança dos jovens. Apesar dos obstáculos encontrados pela professora, ela não desiste nunca. Um filme envolvente até o final, e por que essa sugestão nesse momento em que falamos de Leitura e Escrita? Exatamente este foi um dos métodos que a professora utilizou para com os alunos, ela criou um projeto onde eles tinham que ler o livro "O Diário de Anne Frank" e assim como na história eles começaram a criar o hábito de escrever sobre suas vidas em um diário, onde poderiam expor e desabafar todos os seu problemas e sentimentos, apesar de todas as dificuldades encontradas, (muitas delas bem parecidas com as que vemos por aqui).
Professora Erin, um exemplo de profissional, empenhada em acima de tudo, deixar de lado os obstáculos, as indiferenças e tratar seus alunos com dignidade e respeito sem se preocupar com a cor, etnia ou classe social. 

Sugestão de Leitura I - Conto social

Boa noite, caros leitores!

Postarei alguns contos que eu gosto muito e já trabalhei em sala de aula com meus alunos. O primeiro deles é um conto social que é muito relevante e atual e gerou boas discussões, incluindo assuntos como diferenças sociais, preconceito, profissões e até mesmo política, tudo isso num 7º ano, foi muito proveitoso, superou minhas expectativas. Espero que gostem!

Guadalupe

Pamonha - Anton Tchekhov

Anton Pavlovitch Tchecov foi um médico,
dramaturgo e escritor russo,
considerado um dos maiores contistas
 de todos os tempos. Em sua carreira
 como dramaturgo criou quatro
 clássicos e seus contos têm sidos
 aclamados por escritores e críticos. 
Wikipédia
Convidei há dias para o meu escritório a governanta de meus filhos, Iúlia Vassílievna. Era preciso acertar as contas.
- Sente-se, Iúlia Vassílievna! - disse - Vamos fazer as contas. Com certeza, está precisando de dinheiro e a senhora‚ tão cerimoniosa que não pede sozinha... Bem... ficou ajustado entre nós que seriam trinta rublos por mês...
- Quarenta...
- Não, Trinta... Eu tenho anotado... Sempre paguei trinta rublos às governantas...Bem, a senhora residiu aqui durante dois meses...
- Dois meses e cinco dias...
- Dois meses exatos... Anotei assim. Quer dizer que tem a receber sessenta rublos... Descontando nove domingos... a senhora, realmente, não deu aula ao Kólia nos domingos, mas apenas passeou com ele... E mais três feriados...
Iúlia Vassílievna ficou vermelha e pôs-se a puxar uma franja do vestido, mas... não disse palavra!...
- Três feriados... quer dizer que temos a descontar doze rublos... Kólia esteve doente quatro dias e, por isso, não estudou... A senhora, então, deu aula apenas a Vária... Durante três dias, a senhora teve dor de dente e minha mulher dispensou-a das aulas da tarde... Doze e sete são dezenove. Descontando... ficam... hum... quarenta e um rublos... Certo?
O olho esquerdo de Iúlia Vassílievna ficou congestionado e nublou-se. Começou a tremer-lhe o queixo. Tossiu nervosa, assoou-se, mas... sem dizer palavra!
- Na noite de Ano Bom, a senhora quebrou uma xícara de chá e um pires. São menos dois rublos... A xícara é uma relíquia, custa mais caro, mas... vá lá, Deus que a perdoe! Nossas coisas já se têm estragado em tantas ocasiões! Depois, devido a uma falta de atenção por parte da senhora, Kólia trepou numa árvore e rasgou o paletozinho... São menos dez... A arrumadeira, em consequência igualmente de uma distração sua, roubou os sapatos de Vária. A senhora deve cuidar de tudo. Está  contratada e recebe ordenado. Quer dizer que devemos tirar mais cinco... No dia dez de janeiro, a senhora levou emprestados de mim dez rublos...
- Eu não levei! - murmurou Iúlia Vassílievna.
- Mas está anotado aqui!
- Está bem...seja.
- De quarenta e um, tira-se vinte e sete, sobram quatorze...
Os olhos da governanta encheram-se de lágrimas... O suor apareceu sobre seu narizinho comprido e gracioso. Pobre menina!
- Eu só levei uma vez - disse ela, a voz trêmula. - Levei três rublos de sua senhora... Não levei mais nada...
- E agora? Imagine, eu nem anotei isso! Tirando três de quatorze, fica onze... Aqui está o seu dinheiro, minha cara! Três... tres, três... um e um... Queira receber!
Dei-lhe os onze rublos... ela os tomou e enfiou-os no bolso, com dedos trêmulos.
- Merci - murmurou.
Levantei-me de um salto e pus-me a andar pelo quarto. O furor apossou-se de mim.
- Mas, por que este merci? - perguntei.
- Pelo dinheiro...
- Mas eu a assaltei, diabos, eu lhe roubei dinheiro! Por que
merci?
- Noutras casas, cheguei a não receber nada...
- Não recebeu nada! Compreende-se! Eu caçoei da senhora, dei-lhe uma lição cruel... Vou lhe pagar todos os seus oitenta rublos! Estão preparados para a senhora, neste envelope! Mas, como é que se pode ser moleirona assim? Porque não protesta? Por que fica quieta? Pensa que, neste mundo, pode-se não ser audacioso? Pensa que se pode ser tão pamonha?
Ela esboçou um sorriso azedo e eu li em seu rosto: "Pode-se sim!".
Pedi-lhe perdão por aquela lição cruel e dei-lhe, para seu grande espanto, os oitenta rublos. Pôs-se a balbuciar merci com timidez e saiu do escritório. Acompanhei-a com o olhar e pensei:
- É fácil ser forte neste mundo!

Depoimento sobre leitura - Gislaine

Quero compartilhar com todos minha iniciação na pratica de leitura, quando criança, minha mãe sempre lia para mim "Monteiro Lobato" (estava no auge com o "Sítio do Picapau Amarelo"), eu adorava ouvir mas não tinha muito interesse em ler até então, morria de medo de passar perto de algum pé de bambu, pois acreditava fielmente ser a casa do Saci e ele poderia morar em qualquer lugar, até mesmo em Tatuí, demorou algum tempo para eu descobrir que não passava de histórias e que o Saci não existia realmente. Quando estava na quinta série uma professora pediu para a sala ler alguns livros para fazer uma ficha de leitura e o meu livro (não lembro o título) falava sobre a vida da borboleta, como elas nascem, se transformam  voam e eu fiquei tão impressionada que toda vez que eu via uma borboleta me lembrava de todo o processo, com isso descobri que se eu lesse com mais frequência, poderia saber sobre muito mais coisas sem precisar perguntar para ninguém, acabei tomando gosto pela leitura e lia tudo que via pela frente, depois de  algum tempo, uma amiga me presenteou com um livro da coleção do Sidney Sheldon (O reverso da medalha - 1982), gostei  tanto que não ficou só nesse, vieram outros, como Agatha Christie (Assassinato no Expresso do Oriente - 1934) e ainda Eleanor H. Porter (Pollyanna - 1913 e Pollyanna Moça - 1915) só depois partindo para a literatura brasileira, ufa!! É um prazer que não tem fim.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Depoimento sobre leitura - Guadalupe

Boa noite! Me chamo Guadalupe, sou professora de Língua Portuguesa e Língua Inglesa na cidade de Tatuí, interior de São Paulo. Leciono há pouco mais de um ano, porém minha experiência com leitura e escrita vem de longe, mais especificamente da minha infância.
Quero deixar aqui um pouco de mim, da minha experiência com a leitura e a importância que ele exerce em minha vida.
Leio tudo, bula de remédio, outdoor, rótulo de shampoo, livrinhos infantis para a minha filha, contos, crônicas, romances, enfim, tudo o que cair nas minhas mãos, eu leio.
Mas tenho que citar algo que marcou minha vida, então vou compartilhar com vocês a história dos meus primeiros livros "fora da escola". Minha mãe sempre foi uma devoradora de livros, principalmente aqueles que vendiam em bancas antigamente e que quase sempre entitulavam-se com um nome feminino. Um deles era de uma espiã chamada "Brigitte Montford", ou simplesmente "Baby". Enquanto minha mãe lia e comentava, empolgada, cada nova aventura dessa espiã que tinha mil truques nas mangas, eu esperava ansiosamente para ler também, assim que ela terminasse. A Baby era incrível, ela podia fazer tudo o que quisesse, sem muito apelo à violência, usando apenas seus truques e sua inteligência. E eu viajava a todos os países em que ela tinha uma nova missão a cumprir, conhecia novas culturas através dela, acompanhava, aflita, seus vilões tentando encurralar a melhor e mais incrível espiã internacional do planeta!
E assim começou minha aventura literária, devorando livros e mais livros desta série e, paralelamente, da Coleção Vagalume, para fazer aquelas famosas fichas de leitura que nossos professores nos pediam a cada novo bimestre.
Hoje sei a importância que a leitura exerce na vida de um ser humano, pois nossos horizontes, nossa cultura, nosso cérebro se expandem e, como diria Einstein, "a mente que se abre, jamais voltará ao tamanho original", por isso incentivo minha filha e meus alunos a lerem, desde sempre e para sempre, não para que eles se sintam forçados ou obrigados a isso, mas sim para que eles sintam a importância desse ato para suas próprias vidas e tenham gosto, leiam por amor!

domingo, 2 de junho de 2013

Apresentação

Olá, pessoal!
Somos o Grupo 4 do Curso Melhor Gestão, Melhor Ensino, um programa de formação à distância de educadores. Somos professoras da rede pública estadual de São Paulo e temos aqui um convite a todos que queiram entrar no universo da Leitura e Escrita.
Como nosso objetivo é de extrema relevância em nossa sociedade, gostaríamos que todos se sentissem a vontade em ler e comentar nossos posts, que conterão um pouco sobre nós, nossas leituras pessoais, recomendações de textos, livros e, porque não?, filmes que nos agradam e podem te agradar também, sugestões de planos de aula e formas de levar a leitura e escrita às nossas crianças, tornando-se, assim, um hábito e não uma obrigação.
Espero que todos gostem e sintam-se bem-vindos ao nosso mundo, o "Blog da leitura e escrita - MGME"!
Até breve!